Secretário se baseia em projeção de estabilidade para defender reabertura na Paraíba

Em que pese a situação delicada que a Paraíba passa atualmente com relação à pandemia de coronavírus, a expectativa do Governo do Estado é de que os números de novos casos e de internações hospitalares entrem em estabilidade. E é com base nessa perspectiva que o médico Daniel Beltrammi, que é secretário executivo de Gestão da Rede de Unidades de Saúde, defendeu nesta segunda-feira (5) o novo decreto estadual que libera segmentos como bares, restaurantes, igrejas, comércios e shoppings centers.

As declarações foram dadas em entrevista ao Bom Dia Paraíba, das TVs Cabo Branco e Paraíba. Depois, o G1 tentou solicitar os estudos que comprovariam a estabilização dos números, mas as ligações não foram atendidas e as mensagens enviadas não foram respondidas.

Na entrevista, Beltrammi admite, de toda forma, que a situação na Paraíba não está controlada. Ele lembra, por exemplo, que nesse domingo (4) o balanço diário da Secretaria de Estado da Saúde registrou 1.081 novos casos confirmados de Covid-19 e 40 novas mortes por causa da doença. Além do mais, a taxa de ocupação de UTI está em 78%, com uma maior pressão no sistema de saúde de João Pessoa e do Sertão.

 

Ele destaca que o estado já possui 1.200 leitos de UTI e que se prepara para a abertura de novas unidades, mas pondera que essa não é a solução. “Viemos de dias muito difíceis”, admite.

Por tudo isso, ele pondera que a reabertura deve acontecer acompanhada de um “compromisso com a segurança” para evitar que se registre “pioras importantes”.

A principal preocupação, ainda de acordo com ele, tem que ser no trânsito das pessoas de casa para o trabalho e do trabalho para casa. E que, por isso, os segmentos econômicos do estado terão horários diferenciados nas jornadas de trabalho. O objetivo é evitar aglomerações.

Sobre bares e restaurantes, o secretário disse que as fiscalizações continuarão de forma constante e que esses locais terão que funcionar com capacidade reduzida de 30% para ambientes fechados e de 50% para ambientes abertos.

Já com relação às escolas, que continuam fechadas, o secretário explicou que se trata de um “ambiente de encontros”, o que torna mais difícil o controle da doença. Ele explica que foram muitos os professores e estudantes que se contaminaram na última reabertura, mas que ainda assim o Governo da Paraíba está trabalhando para que, o quanto antes, o setor volte ao sistema híbrido, com parte dos estudantes comparecendo às aulas de forma presencial e a outra parte permanecendo com aulas remotas. Ele não deu certeza, mas deu a entender que isso pode acontecer já no próximo decreto estadual.

Bom uso de medicamentos

O secretário Daniel Beltrammi falou também sobre o uso de medicamentos de sedação e de intubação existentes na Paraíba. De acordo com ele, o Governo da Paraíba está com dificuldades de manter o estoque de medicamentos entre 20 e 30 dias e, para piorar, já foi informado de que os fornecedores não terão condições de atender a toda a demanda existente atualmente no país.

 

Por causa disso, o Estado está realizando um ciclo de educação e saúde com os profissionais da área para realizar um “processo de formação” que permita o uso adequado dessas medicações. O objetivo é garantir o cuidado e a proteção dos pacientes ao tempo que ajuda a manter o estoque.

De acordo com ele, é uma forma de fazer bom uso dos medicamentos. Uma espécie de racionamento para garantir o estoque e evitar problemas futuros.

Maid Bayeux com G1