O perigo das “Fake News”

A onda de notícias falsas que se propagam pelos canais de informação incomodaram recentemente até o Papa Francisco. Em um discurso destinado à Jornada Mundial da Comunicação, na semana passada, ele exortou os profissionais da imprensa e as pessoas de modo geral a trabalharem por uma cultura da verdade nas redes digitais e nos meios tradicionais de comunicação.

O líder da Igreja Católica disse: “Divulgar fake news pode servir para conquistar objetivos específicos, influenciar decisões políticas e servir para interesses econômicos”, e alertou que os danos causados pelas informações mentirosas são irreparáveis. O Jornalismo, então, tem a missão de nadar contra essa corrente, de acordo com ele.

E, nesse ponto, Bergólio tem toda razão.

Se por um lado as redes digitais dão voz a milhões de pessoas que antes não eram ouvidas e permitem que os grandes meios de comunicação sejam fiscalizados pelos internautas, essas mesmas redes também contribuem para a disseminação de conteúdos inverídicos.

Somos inundados diariamente por textos disseminados em aplicativos de mensagens instantâneas, aparentemente inofensivos, mas carregados de armadilhas e invencionices contra pessoas, grupos, empresas, denominações religiosas etc. São grupos que inventam notícias sobre outros grupos rivais, muitas vezes.

Os menos esclarecidos acabam acreditando em tudo o que leem e viralizam o conteúdo mentiroso.

Outra modalidade de notícias falsas são aquelas produzidas por blogs de militantes políticos, que recebem o famoso “toco”, e os robôs automáticos, que geram as principais notícias falsas em plataformas como o Twitter e o Facebook. Esses canais, no entanto, não resistem a uma checagem minuciosa de seu conteúdo.

O pior de tudo, porém, é que parte do “jornalismo sério” também está produzindo “fake news”. Para a tristeza do Papa!

As notícias falsas que mais têm capacidade de provocar danos irreparáveis são escritas por jornalistas formados e que, algumas vezes, trabalham em veículos de comunicação cujo nome se encarrega de dar “credibilidade” ao conteúdo distorcido. Assim a tarefa do leitor, de checar a informação, fica ainda mais difícil.

As manchetes dão uma verdadeira aula de “fake news”.

A editoria de violência é um exemplo disso. Não raras vezes, nas manchetes dos portais de notícia os criminosos viram apenas “suspeitos”. Já os suspeitos, quando ainda não há nem indícios, viram culpados. Condenados! Vai depender de que lado do espectro ideológico está o jornalista.

A mesma coisa acontece quando o tema envolve política e/ou religião. Mesmo sem nenhuma confirmação daquilo, um redator de determinada notícia escreveu: “Pastor evangélico é preso após cometer isso ou aquilo”, quando na realidade o crime não tinha nada a ver com a profissão do homem. E a notícia não trazia nem um indício de que o delinquente era realmente um pastor! Nem uma linha! Eu já reuni uma dúzia de notícias assim para escrever um futuro artigo técnico-científico.

Isso vale para assuntos políticos, partidários, religiosos, científicos, filosóficos… Se o jornalista não tiver um certo nível de consciência e maturidade, ele vai colocar uma informação distorcida ali no meio da notícia e o leitor será enganado. 

Por isso, deixo aqui uma dica para você se livrar das “fake news”, estejam elas nas redes digitais, na rua ou nos grandes meios de comunicação.

Ao ler qualquer informação, duvide (será mesmo que a notícia é verdadeira?), depois critique (seja crítico e cheque você mesmo as informações), e enfim determine (diga se o que você está lendo é ou não uma informação verdadeira).

E persigamos o desejo do Papa. 

Felipe Nunes

Post Scriptum: A expressão “Fake News” explodiu depois que o então candidato republicano Donald Trump passou a contestar notícias falsas a seu respeito publicadas na imprensa e nas redes digitais, durante as eleições presidenciais americanas. Depois disso, tanto seus apoiadores quanto seus críticos passaram a se preocupar com o problema e o assunto ganhou repercussão global.