“Há um clamor para que eu volte”: entrevista ping pong com Dr. Expedito Pereira

O Portal Mais Bayeux estreia hoje uma série de entrevistas com políticos e personalidades bayeuxenses. A primeira entrevista é com o ex-prefeito da cidade, Dr. Expedito Pereira.

Prefeito de Bayeux por quatro mandatos, Pereira é médico. Ele já exerceu a função de secretário de saúde de Santa Rita (1986-1988), foi vice-prefeito (1989-1993), vereador de Bayeux (20052008) e suplente de deputado estadual (legislatura 2007-2011), assumindo o mandato de deputado em março de 2009.

A entrevista com doutor Expedito Pereira foi realizada na última segunda-feira, no final da tarde, na Churrascaria Opção, um dos lugares onde ele mais gosta de frequentar na cidade. Ele estava acompanhado do seu sobrinho e assessor, Ricardo Pereira.

Expedito respondeu todas as perguntas feitas pela reportagem. Falou sobre suas pretensões políticas, opinou sobre a atual gestão e discorreu também sobre sua história de vida e curiosidades poucas vezes ditas antes.

Confira abaixo a entrevista na íntegra.

Doutor Expedito, como é que o senhor está enxergando a situação política em Bayeux atualmente?Com muita preocupação. A situação política da cidade de Bayeux é difícil. É um momento muito conturbado e de indefinições. Com isso, quem sofre é o povo, infelizmente. Estão se agravando os problemas da saúde, da educação, da infraestrutura, da moradia, da limpeza pública, da ação social, infelizmente, devido a esse momento difícil que a cidade está passando. Difícil do ponto de vista político, administrativo, e assim por diante.

A quem o senhor atribui essa situação política e administrativa difícil que a cidade está passando?Primeiro, à escolha malfeita pela maioria. Primeiro isto, porque foram eleitas pessoas incompetentes, incapazes e despreparadas para o cargo. Primeiro, isto. Segundo, que essas pessoas que eu disse, que foram eleitas, não têm maturidade, não têm experiência, não têm competência para administrar uma cidade. Então, complicado, difícil como a nossa cidade de Bayeux em um momento de crise financeira que vive o país, e os municípios vivem essa situação também. Então, repetindo, atribuimos tudo isso, primeiro à má escolha feita pelo povo. Segundo, esses escolhidos não têm condições, não têm competência para admninistrar a cidade de Bayeux. 

O senhor acha que o grupo já tinha isso em mente ou o senhor atribui tudo isso somente à inexperiência?À inexperiência e à incapacidade. Eles nem têm experiência administrativa e nem capacidade, então o prefeito que  foi eleito se diz e se prova, que ele geriu condomínio, coisas pequenas, e levou a falência. O vice-prefeito também administrava uma empresa de transporte e também faliu. Com débitos, débitos, débitos e mais dé-bitos pendentes. Então, incapacidade mesmo e inexperiência. 

Mas o senhor não venceu as eleições. A quem o senhor atribui essa derrota?Na verdade, foi uma eleição atípica. O povo queria mudar. O povo queria coisas diferentes. Apesar de dizermos em  todas as equinas, em todas as ruas, em todos os palanques que não trocassem o certo pelo duvidoso, se não, nós iamos viver uma situação igual ou pior à situação vivida por Santa Rita. Nós dizíamos isto. Não troque o certo pelo duvidoso. Mas aí foi uma eleição onde não só Bayeux mas outras cidades queriam algo diferente, algo que mudasse, e houve a mudança. Agora uma mudança para pior. Hoje a maioria do povo de Bayeux está arrependido de ter votad no pessoal que está levando a cidade ao caos, infelizmente. Então nós, com a vivência que temos, de termos sido prefeito quatro vezes, sem contas reprovadas, com nome limpo, ficha limpa, nós fazíamos transformar pedra em água,  pedra em leite, como essa UPA. No momento de crise nós construímos, botamos para funcionar a tão desejada e sonhada UPA. A própria UPA hoje está sofrendo com esse desequilíbrio que a cidade está vivendo atualmente. 

O atual prefeito [Luiz Antônio], ele disse, em discurso na Câmara, na abertura dos trabalhos legislativos, que algumas das obras que não foram entregues e que estão com problemas decorrem da sua gestão. O que o senhor tem a dizer sobre essa afirmação?Eu rebati de forma veemente, porque esse cidadão não tem a mínima condição moral de falar nada da gestão do Doutor Expedito. Se nós não concluímos algumas obras, como a creche do São Bento, como a creche da Imaculada, foi porque as obras públicas com repasses federais são vagarosas. Porque o empreiteiro faz, presta contas, faz a mediação, e o recuso só vem dias, meses depois. E com isso, os construtores não têm condições de levar a diante a construção enquanto não receber seus pagamentos. Agora, mais de um ano que eles assumiram e as obras continuam paradas porque eles não tiveram competência de fazer com que as medições fossem feitas e os repasses ocorressem. Por  exemplo, o CIE (Centro de Iniciação ao Esporte), deixei todo o projeto pronto, mais de seis meses para fazer esse projeto, que é uma mini-vila olímpica aqui no Jardim Aeroporto, quase R$ 3 milhões de reais. Só pra fazer o projeto, mais de seis meses, para a Caixa aprovar. A Caixa vê falhas, volta para lá e tal. Eu deixei tudo pronto, inclusive a ordem de serviço já pronta, tudo licitado. E eles, em um ano e tanto que eles assumiram, não fizeram nada para dar início a essas obras. Inclusive teve aqui o senador, na outra semana, dizendo que tinha destravado a obra do CIE. Coisa nenhuma! Nunca foi travada. Eu deixei pronta, ordem de serviço pronta, já pra começar com dinheiro na Caixa Econômica, que ainda está. Então esse cidadão tenta justificar a incapacidade dele, a incompetência dele, atirando pedras no doutor Expedito, que é o mais fácil. A maioria do povo não conhece os detalhes, então é mais fácil atribuir a falha ao doutor Expedito do que ele mesmo assumir. Porque além dele, a equipe dele é incompetente, com algumas exceções. Porque um sujeito incompetente não pode ter uma equipe competente. Infelizmente é assim. Porque ele não tem capacidade de fazer uma equipe competente para ajudar a administrar bem a cidade. 

A UPA, por exemplo, é outro problema que o prefeito Luiz Antônio cita e coloca a culpa na sua gestão. O que o senhor tem a dizer sobre a UPA?A UPA eu entreguei funcionando 100%, com mais de 100 atendimentos diários. Nunca ninguém, de julho a dezembro, no período que a UPA funcionou, fez nenhuma reclamação, nenhuma queixa do atendimento. Hoje, sim, que não há atendimento. Hoje, sim, que o atendimento está reduzido a quase nenhum. Até porque a equipe ou as equipes, não só da UPA mas do PSF estão com salários atrasados e não estão trabalhando adequadamente. Boa parte das USFs estão sem funcionar, porque os médicos estão com 2, 3 meses de salários atrasados. Então quando eu passo ali na BR, que vejo a obra naquela UPA que está sendo construída no Conde para servir ao Conde, Alhandra, Pitimbú, que foi inciada primeiro do que a nossa, um ano antes a nossa já concluiu e aquela obra lá está parada há mais de um ano. Então era preciso que estivesse na prefeitura alguém competente, alguém destemido, alguém com garra para enfrentar a obra da UPA e o funcionamento dela. E eu consegui isto. E eu consegui isto. Ainda sobre a UPA, três dias deles que eles fecharam a UPA, alegando isso e aquilo outro, quando a grita da sociedade era grande, aí reabriram, porque eles deram um tiro no pé. E assim tem sido com outras críticas que eles têm me feito, mas são críticas apenas para tentar enganar o povo, para não mostrar a incompetência dele, querendo tapiar a todos com a incompetência e a irresponsabilidade deles. 

E qual a solução para esse caos administrativo e político?Olha, está com a Câmara e está com o Poder Judiciário. É preciso que haja novas eleições na cidade de Bayeux. É preciso que haja uma mudança no poder executivo da cidade. Não vejo outra saída. A outra saída é nova eleição, para que se mude o gestor municipal. Não vejo outra saída. 

Em caso de haver novas eleições o senhor será candidato?Serei candidato, sim, porque há um clamor do povo para que o doutor Expedito volte a administrar a prefeitura. Ho-je a maioria do povo de Bayeux diz: Nós éramos felizes e não sabíamos, nós trocamos o certo pelo duvidoso. E hoje estamos vivendo o caos nunca antes visto, não só do ponto de vista político, mas sobretudo do ponto de vista administrativo e do ponto de vista moral também. 

Adversários seus afirmam que o senhor está inelegível, com base na decisão monocrática do juiz eleitoral de Bayeux. Isso impossibilita uma possível candidatura sua à prefeitura?Quem diz isso é quem não tem o menor conhecimento jurídico, o menor conhecimento das leis que regem o nosso poder legislativo, o poder executivo e o poder judiciário eleitoral. Porque uma decisão monocrática na primeira instância, ela tem várias apelações. Vai para o TRE, e do TRE ainda tem a instância maior que é o TSE. E as alegações monocráticas apontadas pelo juiz, são alegações onde nós facilmente vamos derrubá-las, com certeza. Então são argumentos de quem não conhece a legislação do nosso país.

O senhor disse recenetemente que não vai ser candidato a deputado estadual e que vai apoiar o candidato Zé Paulo. O senhor continua com essa disposição de apoiá-lo?  

Continuo, até porque eu sou um homem que quando tomo uma decisão, eu não tomo uma decisão precipitada. Eu estou, eu analiso, eu pesquiso e existem muitos motivos para eu votar em Zé Paulo. Um deles é que Zé Paulo é um homem de conduta ilibada, de conduta limpa, ficha limpa, além de ser um cidadão humilde, que convive bem na cidade de Bayeux, e tem feito um mandato, vai completar quatro anos, um mandato de luta e determinação. Então continuo firme para reeleger o deputado Zé Paulo. 

O senhor disse que as pessoas querem sua volta. Então o senhor não acha que essas eleições seriam uma oportunidade do senhor se candidatar e ser eleito?Olha, o meu objetivo é ser prefeito. Eu já fui candidato a deputado duas vezes. Uma das vezes eu fiquei na primeira suplência, tirei mais de treze mil votos só na cidade de Bayeux. Foi a maior votação para um deputado na história de Bayeux. Cheguei assumir mais de um ano a cadeira de deputado, mas no momento o meu objetivo é chegar na prefeitura. Eu sendo candidato agora, o povo iria se cansar de votar no doutor Expedito e ia ficar mais difícil para eu pedir voto em 2020. Então acredito que esse povo vai me ajudar a eleger Zé Paulo e acredito que eu estarei trabalhando sim para ser prefeito de novo em 2020. 

 Mas o senhor vai continuar no PSB ou pretende mudar de partido?Não, não pretendo mudar. Estou no PSB, vou continuar no PSB.

O govenador Ricardo Coutinho tem lhe ajudado nas suas pretensões?Eu não tenho conversado com o governador Ricardo Coutinho. 

 Mas nas eleições passadas ele lhe apoiou conforme o senhor gostaria? Ele me deu apoio sim. Lógico que eu gostaria que tivesse sido bem maior, mas ele tinha o Estado da Paraíba todinh,duzentos e vinte e três municípios para cuidar. Eu compreendo que não é fácil, mas ele me deu apoio, sim, dentro das possibilidades dele.

 O senhor pretende apoiá-lo agora para o Senado? 

Não tenho dúvidas. Vou apoiá-lo, sim, e nesse mês de fevereiro, eu vou trazer o candidato a governador dele, João Azevedo, para lançarmos a sua candidatura aqui em Bayeux. Se Deus quiser.

Já tem uma data para isso acontecer?

 Estamos prevendo o dia vinte e pouco de fevereiro. A gente avisa a você.

Agora sobre a administração de Ricardo aqui na cidade. Como o senhor classifica?Foi marcante. Eu diria que foi um dos governadores que mais fez pela cidade de Bayeux. Basta citar o binário da Liberdade, que era uma obra antiga. Eu cheguei em Bayeux há mais de cinquenta anos e naquele tempo, que tinha acho que 10% dos carros que tem hoje, o povo já reclamava por um binário na Liberdade. Foi o único governador que não prometeu e fez. Basta isso. Mas temos a escola técnica, que foi outro grande marco, sobretudo na educação. Temos reformas de outras escolas como Irineu Pinto, Antônio Gomes, no Mário Andreazza, que está sendo feita uma reforma, então o governador Ricardo Coutinho foi um dos que mais fez pelo município de Bayeux.

Voltando a falar sobre gestão. Como o senhor classifica sua gestão e quais são obras que o senhor cita para exemplificar?A minha gestão, que eu gostaria que fosse ótima, mas eu fui prefeito em um momento difícil. Crise econômica a nível nacional, redução de repasses federais para o município, então deixa de ser ótima para ser boa. Por exemplo, a UPA é um marco na minha gestão. A escola Joana Fortunato, que é a maior e mais morderna escola de Bayeux, que eu construi no Comercial Norte, é outro marco. Reformas em várias outras escolas, calçamentos, salários em dia, que hoje os salários estão atrasados; limpeza em dia, iluminação em ordem, ação social funcionando bem. Aqueles sopões que tinha nos bairros, o Restaurante Popular funcionando, a Casa da Cidadania que eu abri em parceria com o governador. Foi uma luta minha junto ao Governo do Estado, que era uma reivindicação antiga a Casa da Cidadania, que tantos benefícios traz para a nossa cidade. São mais de cem atendimentos diários ali, com vários tipos de documento etc e tal. Então, eu classifico a nossa gestão como boa. Só que eu gostaria que tivesse sido ótima, mas não foi por dificuldades financeiras. 

Eu vou citar uma obra, o Estádio Lourival Caetano, que é uma obra muito importante e que vem se arrastando desde a gestão da ex-prefeita Sara Cabral. Por que ela não foi finalizada no seu governo?

Ali foi a questão do repasse financeiro no Ministério do Esporte, mas uma coisa que eu coloquei na minha gestão, em 1998, foi a instalação da iluminação, que era uma reivindicação antiga. E quando eu assumi, em 2013, aquela iluminação estava sem funcionar há mais de dois anos. Eu revitalizei a iluminação. O gramado, eu revitalizei o gramado. Agora, a conclusão da reforma em si não deu para fazer, porque os repasses do governo federal, no Ministério do Esporte, não aconteceram, e eu lamento dizer a você, acredito que há uma dificuldade muito grande, há um ferrolho enferrujado na obra do Estádio Lourival Caetano, que em outra gestão minha já foi palco para jogos do campeonato paraibano, quando o Estádio da Graça estava interditado, quando o Estádio Almeidão estava interditado, aqui serviu de palco para Botafogo e outros times do interior que vinham disputar com o Botafogo aqui. Mas eu deixei o estádio funcionando adequadamente nessa gestão, embora a reforma prevista não foi possível.

Como é que o senhor vê a atuação dos vereadores aqui de Bayeux?Olhe, os vereadores têm feito o possível para acertar, para cumprirem com dignidade seus mandatos. Tem muita dificuldade, eles têm muita dificuldade e sofrem muitas críticas do povo. Nós políticos, hoje, somos muito criticados, até porque o povo não entende a função do poder legislativo, pensa que o vereador é para fazer uma obra, isso e aquilo outro. Não é. A função do vereador é fiscalizar, é cobrar, é dinamizar a administração e acredito que os vereadores vêm fazendo isso adequadamente. Uma falha aqui e outra ali, que é natural, mas no geral eles vem dando conta do recado.

Mas o senhor não acha que às vezes não acontece justamente o contrário do que o senhor está dizendo aí, troca-se o papel de fiscalizar pelo de fazer coisas que não seriam da ossada dos vereadores? Não há uma falha no papel de fiscalizar e cobrar para que a gestão seja mais eficiente?Olhe, quando fui prefeito, nós tínhamos uma Câmara que me cobrava muito, que fiscalizava muito e eu acredito que eles continuam cobrando e fiscalizando, eu acredito. Quanto à parte social, todos nós temos dentro de nós o desejo de servir, e essa questão de colocarem carros à disposição, eu não critico, eu acho que é uma forma de ajudar a quem precisa dele. Eu louvo e parabenizo o vereador que fez isso.

Falando um pouco das gestões passadas. O que o senhor acha da gestão de Sara Cabral e existe possibilidade do senhor retribuir o apoio que ela lhe deu na última eleição?Olhe, na próxima eleição eu vou ser candidato, então espero contar com a parceria dela. Quanto à gestão dela, ela teve muita sorte que o marido dela era deputado federal, conseguiu muitas verbas para cidade, e acredito que ela aproveitou-se muito desse momento político que ela estava vivendo. Ela fez uma gestão boa, teve seus problemas como toda gestão tem, mas no geral, ela fez uma boa gestão.

E quanto ao ex-prefeito Jota Júnior, como o senhor classifica a gestão dele?Jota Júnior também teve muita sorte, conseguiu muitas emendas para a cidade, muitos recursos. Ele asfaltou todas as ruas por onde circulavam os ônibus na cidade, conseguiu verbas para a duplicação da subida do Aeroporto, deixou em menos da metade e eu que conclui. E teve um apoio muito grande de deputados em Brasília. Recebi a prefeitura com um mês de atraso de salário, mas ele fez uma boa gestão também. E poderia ter feito melhor.

E como é que o senhor classifica a perda de Jota Júnior para a cidade?Olhe, a perda de qualquer ser humano é lamentável, embora a gente acredite em Deus e em uma vida futura, a gente sabe que a morte não é o fim. A morte é o meio de chegar a outra vida. Mas para quem fica aqui tem a saudade e a lamentação de ter perdido uma pessoa, de ter perdido Jota Júnior. Então acho que como eu, toda a cidade de Bayeux também lamentou, também fiquei triste. Você viu, o velório dele, o sepultamento dele foi uma coisa marcante na nossa cidade, então lamento e gostaria que ele estivesse aqui entre nós, aliás ele foi muito prematuramente, foi novo, não é?

O senhor falou aí em Deus. Quem é Deus para o senhor?Deus, para mim, é indefinível. É aquele ser inalcançável por nós. E dentro da nossa imaginação cada vez mais forte. Tem aqueles que dizem que não acreditam em Deus. Eu acredito. Para mim, Deus é aquele ser inatingível, que nós humanos não temos como definí-lo. Nós sentimos a presença dele, então ai de nós se não tivermos fé em Deus. Eu acredito em Deus. 

E o senhor se classifica como um cristão?Eu me classifico como um cristão, como alguém que persegue os ensinamentos de Cristo, tenta vivê-los, e me sentindo cada vez mais falho. E quanto mais eu me sinto falho, mas eu me sinto na obrigação de lutar para aperfeiçoar-me dentro dos ensinamentos cristãos.

E o senhor aplicava esses ensinamentos quando o senhor administrava a cidade?Sempre, na minha vida de sempre. Desde que eu conheci o Cristo, o cristianismo, sempre. Na vida de adolescente, de estudante, depois de médico. Hoje eu me dedico aos outros como se fosse uma criatura divina que merece o nosso respeito. O grande Dom Hélder Câmara, ele dizia que cada ser é um templo onde ali mora a divindade de Deus. Eu vejo as pessoas dessa forma.

O senhor nasceu em Bonito de Santa Fé. Como foi a sua vinda para Bayeux e a sua entrada na carreira política?Meu pai era um homem rico, um político importante em Bonito de Santa Fé. De repente, ele perdeu tudo isso que tinha, saiu de Bonito de Santa Fé, e para ele não tinha outro lugar onde ele conseguisse manter sua cabeça erguida e manter sua família. Então viemos para João Pessoa e não encontramos um ambiente muito favorável, aí ele descobriu Bayeux. Bayeux é uma cidade onde 80% dos que moramos aqui não nascemos aqui, essa cidade afável, de pessoa humildes, de camaradagem, de compreensão, então viemos para Bayeux. Fomos morar na rua 21 de abril, aquela rua onde tem a Marajó, na esquina. E chegamos aqui, eu era adolescente, garotão, ainda na gestão de Geraldo Santana, que foi o primeiro prefeito eleito em Bayeux. Aí eu entrei nas atividades da igreja católica, adolescente ainda, fundei o primeiro grupo de jovens de Bayeux, ajudei a fundar a legião de Maria, fiz parte da irmandade de São Vicente de Paula, que tem a obrigação de cuidar de uma pessoa pobre. E para isso vai pedir esmolar nas casas, de quem pode dar, e aí a pessoa que ia dar, dava qualquer coisa, dinheiro, pão, farinha, qualquer coisa. E nós levávamos para aquela pessoa o que nós chamávamos de remidos, aqueles que dependiam do nosso trabalho. E com isso eu comecei a me tornar um líder entre os jovens, e comecei a participar de movimentos reivindicando as questões para o povo, questões sociais. Na época Bayeux não tinha água encanada, quem trouxe o saneamento para Bayeux foi o ex-prefeito João Marsicano, através de João Agripino. Mas na época o meu grupo já lutava por água saneada, coleta de lixo e tal. Então me tornei um líder. Chegou a época do vestibular, fiz o vestibular aqui no Recife, orientado por Dom José Maria Pires, porque eu comecei a ser perseguido pela ditadura militar. E Dom José vendo que o negócio estava ficando ruim para mim, me orientou, para eu ir para o Recife, que lá era perto de Dom Hélder. Dom Hélder era um dos poucos bispos que tinham o respeito dos generais que mandavam no país, na ditadura militar. Tive a sorte de passar aqui e lá, fui estudar lá, e lá fiquei até 1985. Voltei para a Paraíba, voltei para Bayeux e em Bayeux nunca tinha me engajado antes em política partidária. Eu me engajei na campanha de Burity, em 1986, na campanha de Zé Luiz Maroja, deputado estadual, em 1986, e eu comecei a ocupar cargo aqui, cargo acolá, além de médico, e fui eleito vice-prefeito de Lourival Caetano, que foi o mito, que é o mito da história política de Bayeux, em 1988. Continuei meu trabalho como vice-prefeito, e Lourival Caetano morreu em 1992, eu era candidato a prefeito, mas aí eu fui orientado, até forçado por quem tinha até poder maior do que o meu a aceitar a prefeitura e não mais sair candidato. Relutei, mas assumi por cinco meses e fiz um trabalho tão intenso em cinco meses que meu nome tornou-se sustentável, na eleição seguinte, em 1996. Fui eleito em 1996, fui reeleito em 2000 e aí não parei mais.

O senhor falou nesse período e eu lembrei da sua relação com o senador José Maranhão, na época governa-dor. Por que acabou essa parceria?Porque Zé Maranhão tem uns sobrinhos, em quem eu votei em 2002, e esses sobrinhos começaram a falhar e, de uma certa forma, me boicotaram na campanha de 2006. Com isso, não ouve mais clima para continuar com eles. Entre os sobrinhos e eu, Zé Maranhão, lógico, ia preferir os sobrinhos, então como toda parceria, um dia há um motivo para ser desfeita. Foi o que aconteceu. Mas Zé Maranhão continua sendo uma pessoa amiga minha, eu amigo dele, com respeito mútuo, com consideração mútua, mas sem a parceria política.

E qual é a mensagem que o senhor deixa para a cidade de Bayeux?

 

 

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