Artroplastia do ombro para pacientes com osteoartrose grave – por Jerry Boni

Ola!

Gostaria, hoje, de compartilhar a reflexão a seguir, sobre a artroplastia do ombro realizada em pacientes com osteoartrose grave – um tipo de afecção que ocorre quando o tecido flexível nas extremidades dos ossos se desgasta.

Conforme estudos científicos realizados, a artroplastia, quando realidada nesses casos, tem sucesso. Veja a seguir.

A artroplastia do ombro para pacientes com osteoartrose grave apresenta resultados satisfatórios, com melhora duradoura e reprodutível das escalas funcionais e de dor. A melhora funcional signicativa após a realização das artroplastias.

A migração superior do componente umeral está relacionada com uma pior evolução funcional dos pacientes.A aferição desta migração pode ser feita através da altura do espaço subacromial ou pela quebra do chamado “arco gótico”.

Apesar de contraditório, a presença de correlação entre migração superior da cabeça do úmero e a ausência de correlação entre a altura do espaço subacromial pode ser explicada por alguns fatores.

A avaliação do espaço subacromial sofre influência do posicionamento do paciente, da inclinação da escápula, da rotação do braço, da retroversão da prótese e da inclinação do acrômio ou da presença de osteófitos subacromiais. No entanto, a migração superior da cabeça, avaliada pela quebra do arco gótico,tem menor dependência na técnica radiográfica e, possivelmente, apresenta maior sensibilidade para avaliar a migração superior da cabeça da prótese.

A lesão do manguito rotador é causa comum de migração superior do úmero e está diretamente relacionada a piores resultados na artroplastia do ombro.Também é fator de risco para a soltura do componente glenoidal.Outros fatores que podem diminuir o espaço são o posicionamento incorreto da haste umeral, corte alto da osteotomia da cabeça, excentricidade da cabeça do úmero e uso de cabeça do úmero grande ou colo longo.

A tuberosidade maior do úmero está posicionada normalmente entre 2 a 5mm abaixo do topo da cabeça. Quando o componente umeral é posicionado abaixo da borda da tuberosidade maior, o centro de rotação articular desce em relação ao úmero, resultando em impacto subacromial pela posição relativamente superior do tubérculo maior. Por outro lado, uma cabeça excessivamente alta acarreta aumento da tensão no manguito rotador e das chances de desgaste do polietileno ou de erosão da cavidade glenóide.

O tendão do supraespinhal cursando sobre a cabeça da prótese elevada pode causar tendinopatia tardia.Nessa situação, ocorre também aumento da tensão na cápsula inferior. Função na artroplastia parcial, porém não encontraram diferença que diz respeito à dor e dizem que ambos os tipos de substituição (parcial e total) melhoraram a qualidade de vida dos pacientes com OA. Em nosso estudo não foi possível correlacionar os resultados para cada tipo de artroplastia devido ao número reduzido de pacientes.

Na OA primária, geralmente há erosão posterior excêntrica da cavidade glenóide, que pode acarretar em subluxação posterior da cabeça do úmero. Estas alterações estão associadas com dor e perda de função.

Não encontramos significância na correlação entre os indicadores de função e a dor e a subluxação.
A alteração do “offset” medial tem relação com o deslocamento do centro de rotação e está aumentado se a cabeça do úmero for maior.

Um componente glenoidal mais espesso não implica em aumento do “offset” medial, pois provavelmente há compensação pela utilização de uma cabeça de prótese umeral menor, ajustando o equilíbrio das tensões nos tecidos.Não houve correlação entre este parâmetro e as avaliações funcionais no nosso estudo.

O ângulo cervicodiafisário é, em média, 135º±5º e as próteses apresentam, no geral, um ângulo de 130º a 135º.Encontramos valores semelhantes nos períodos pré e pós-operatório. (Tabela 3) Em relação à inclinação do componente umeral, encontraram sinais de radiolucência significativamente menores em próteses encavilhadas na posição neutra. Não observamos correlação entre a posição da haste e o resultado final.

Apesar de não termos encontrado correlações entre o risco de soltura e a cimentação ou não do componete umeral,fornecem evidências de que a força, a amplitude de movimento e a qualidade de vida são melhores na fixação cimentada do que na fixação não cimentada.

A maioria dos parâmetros radiográficos pesquisados não demonstrou correlação significativa com o resultado das escalas funcionais. Entretanto, isto pode ser decorrência de um erro do tipo II.

Nosso estudo chama a atenção para a necessidade da avaliação radiográfica padronizada no período pré e pós-operatório. Essa avaliação deve ser rotineira para os cirurgiões e a anatomia normal, determinada pelos diversos parâmetros radiográficos descritos, deve ser respeitada e reconstruída na artroplastia do ombro.¹

Os resultados acima demonstram, portanto, uma saída promissora para casos como os retratados aqui. A dica de sempre é: procurar um especialista que possa indicar o melhor tratamento a ser feito no paciente, levando em conta as condições estabelecidas.

Dr. Jerry Boni – RQE: 5907 / CRM: 8753 

Médico Ortopedista e Traumatologista com treinamentos no Brasil e no Exterior, na área clínica e artroscópica Cirurgica do Ombro e cotovelo.

Contato: (83) 999411630

Atendimentos:
Clinor – unidades do Centro, Bancários e Praia

Site: www.meuortopedista.com.br

 

 

 

  1. Artroplastia do ombro na osteoartrose: correlação entre função e parâmetros radiográficos. Disponível aqui.