Músculo supraespinhal: a importância dessa estrutura para o corpo humano – por Jerry Boni

Amigos,

Hoje quero falar sobre uma estrutura muito importante para o ser humano. O objetivo é mostrar como ela é indispensável para o nosso dia a dia. 

O músculo SUPRAESPINHAL ou SUPRAESPINHOSO está no nosso ombro e faz parte do grupo que chamamos de MANGUITO ROTADOR.

Você sabia que ao contrário dos demais músculos pertencentes a esse grupo, o supraespinhal possui um braço grande o suficiente para gerar abdução e é capaz de executar por si só toda a amplitude de movimento de abdução glenoumeral?

Esse músculo fica junto aos dois ossos na fossa supraespinal da escápula e no tubérculo maior do úmero, passando por baixo do acrômio e do ligamento coracoacromial.

O supraespinal tem um grande potencial em gerar força compressiva na articulação glenoumeral para manter a estabilidade articular. Esse músculo oferece tensão passiva contra o deslocamento para baixo do úmero, se levarmos em consideração apenas o peso do braço.

Entretanto, se o braço está segurando alguma carga, o músculo supraespinhoso contrai para aumentar a compressão do úmero na cavidade glenoide.

O supraespinhoso tem sido relatado como o músculo chave para manter a centrificação do ombro, ou seja, auxiliar na manutenção do eixo de rotação do ombro.

A articulação glenoumeral propicia a realização de vários movimentos que podem ser realizados isoladamente ou de forma combinada: flexão e extensão, adução e abdução, adução e abdução na horizontal e rotação interna e externa. A flexo-extensão é realizada no plano sagital

Ao redor de um eixo frontal, sendo a flexão máxima de até 180o e a extensão o movimento inverso; a abdução ocorre no plano frontal ao redor de um eixo sagital com liberdade de até 180o, sendo a adução possível neste plano apenas com 30o a 45o de amplitude quando associada a uma extensão.

Outro movimento da glenoumeral é a rotação, podendo ser realizada em qualquer plano com seu grau de amplitude dependendo diretamente do grau de elevação do braço (3). A partir de 90o de uma abdução podem ser realizados os movimentos de adução e abdução na horizontal, sendo estes realizados num plano horizontal ao redor de um eixo vertical.

A amplitude máxima de movimento na abdução do úmero depende da coordenação existente entre o úmero e a escápula, já apresentada como ritmo escapuloumeral.

Portanto, a partir da posição anatômica, o movimento de abdução completa se realiza com a participação conjunta da articulação glenoumeral, articulação escapulotorácica e o tronco. Segundo Magee , “durante a abdução de 180o, existe, grosso modo, uma relação de 2:1 do movimento do úmero em relação ao da escápula.”

Tanto em posição anatômica, rotação interna ou externa, a flexão anterior do braço propicia um deslocamento do tendão do supraespinhal sob a borda do acrômio anteriormente ou ligamento coracoacromial, desta forma, uma abdução ou flexão anterior do úmero ocasionará na projeção do supraespinhal, no nível de inserção, sob essas estruturas.

A elevação do úmero ocorre pela ação conjunta entre o músculo deltoide e manguito rotador, sendo o músculo deltoide (porção anterior) motor primário na flexão e os músculos deltoide (porção média) e supraespinhal motores primários na abdução.

Além disso, tanto o manguito rotador quanto o deltoide realizam importantes funções biomecânicas durante a elevação do braço, que só é possível por causa das forças contrárias vetoriais exercidas por eles.

Durante a flexão ou abdução do braço, o deltoide realiza uma força no sentido superior que eleva a cabeça do úmero, em contrapartida, os músculos do manguito rotador se contraem de forma a centralizar a cabeça umeral e deslizá-la inferiormente, impossibilitando assim um atrito ou impacto da cabeça contra o arco coracoacrômial ou sobre o próprio manguito .

Desta forma, qualquer alteração anátomo-patológica que interfira nesse mecanismo de sinergia muscular ou que comprometa a biomecânica normal do ombro, de forma que o músculo deltoide prevaleça sobre o manguito rotador, poderá ocasionar microlesões traumáticas de origem inflamatória e/ou degenerativas.

Pronto!

Agora que você já sabe o que é o músculo supraespinhal, na próxima publicação vou dizer como manter a saúde dessa estrutura e como se recepuperar de uma lesão neste músculo!

Dr. Jerry Boni – RQE: 5907 / CRM: 8753 

Médico Ortopedista e Traumatologista com treinamentos no Brasil e no Exterior, na área clínica e artroscópica Cirurgica do Ombro e cotovelo.

Contato: (83) 999411630

Atendimentos:
Clinor – unidades do Centro, Bancários e Praia

Site: www.meuortopedista.com.br

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