Ministro Vital do Rêgo cita ‘perplexidade’ por insistência do Governo no uso da cloroquina e ivermectina contra Covid-19

O ministro do Tribunal de Contas da União, o paraibano Vital do Rêgo, criticou nesta quarta-feira (27), em sessão solene da corte, a insistência do Governo Federal no uso da hidroxicloroquina contra a Covid-19. Em pronunciamento, ele disse que está ‘perplexo’ por causa das discussões sobre o tratamento precoce.

“Sou um apaixonado pela medicina, e ao longo desse último ano eu fiquei permanentemente perplexo com a discussão que se travou no Brasil se a hidroxicloroquina, a Ivermectina e o Tamiflur são importantes para o tratamento precoce da Covid-19”, disse.

O ministro salientou que não entendeu a relação que se pretendia fazer entre os medicamentos e o combate à Covid-19. Para ele, nenhuma dessas drogas tem algum efeito no tratamento.

“Fico me perguntando qual a responsabilidade do gestor federal que exporta… O Ministério da Saúde juntou 12 profissionais para fazer rondas nos postos de saúde de Manaus para orientar o uso da Cloroquina. Eu fiquei pasmo”, acrescentou.

Ele fez uma exceção em relação ao uso da azitromicina para combater a inflamação provocada pelo vírus.

O ministro Bruno Dantas também fez críticas ao tratamento precoce. “Não é possível que tenhamos um tratamento como esse dado a famílias que perderam entes queridos”, observou.

Até o momento, ainda não há comprovação científica sobre a eficácia das drogas citadas no tratamento da Covid-19, mas há estudos em andamento que pretendem verificar se existe relação entre o uso desses remédios e a diminuição dos sintomas provocados pela doença.